Morte assistida é simplesmente outra forma de eutanásia


Peter Saunders
     
     Tornar um legal levaria inevitavelmente ao outro
   
     Morte assistida é um eufemismo. Significa fornecer drogas letais a pessoas com doenças terminais com o propósito de ajuda-las a cometer suicídio. Isto é contestado na Grã-Bretanha pela Associação Médica Britânica, pela Associação de Medicina Paliativa, pela Sociedade Britânica de Geriatria e virtualmente por todos no Royal Medical College. Também contraria todos os códigos históricos de ética médica, incluindo o juramento de Hipócrates, a Declaração de Genebra, o Código Internacional de Ética Médica e a Declaração de Marbella da Associação Médica Mundial. 
     A linha entre o suicídio assistido e a eutanásia é muito fina. Se um médico coloca drogas letais nas mãos de uma pessoa é suicídio assistido, mas se for na língua do paciente é eutanásia. Se o médico instala uma seringa e injeta o conteúdo letal em seu paciente é eutanásia, mas se o paciente aplicar pressão na seringa o suicídio será assistido. A realidade é que a morte assistida é apenas outra forma de eutanásia.
     A legalização do suicídio assistido e ou eutanásia é particularmente perigosa porque qualquer lei que permita um ou ambos colocará pressão sobre as pessoas vulneráveis para acabar com suas vidas com medo de ser um fardo para parentes, cuidadores ou um Estado que não tem recursos. Especialmente vulneráveis são aqueles que são idosos, deficientes, doentes ou mentalmente enfermos. As evidências de outras jurisdições demonstram que o chamado “direito a morrer” pode se tornar sutilmente o “dever de morrer”. Sentimentos de ser um fardo foram citados em 55% dos pedidos de suicídio assistido em Oregon e 56% em Washington em 2017.
     Este é especialmente o caso quando as famílias e os orçamentos de saúde estão sob pressão financeira. O abuso e a negligência dos anciãos pelas famílias, cuidadores e instituições são reais e perigosos e é por isso que leis fortes são necessárias.
     Todos os principais grupos de direitos dos deficientes na Grã-Bretanha se opõem a qualquer mudança na lei, acreditando que isso levará a um aumento do preconceito em relação a eles e  maior pressão sobre os deficientes para que acabem com suas vidas.   
     A lei mais segura é como a atual da Grã-Bretanha, que coloca uma proibição generalizada de todo suicídio assistido e eutanásia. Isso impede a exploração e o abuso através das penalidades, mas ao mesmo tempo dá alguma discricionariedade aos promotores e juízes para temperar a justiça com misericórdia em casos difíceis.
     Parte da vida em uma sociedade democrática livre é que reconhecemos que a autonomia pessoal não é absoluta. E um dos principais papéis do governo e dos tribunais é proteger os mais vulneráveis, mesmo que às vezes às custas de não conceder liberdade aos desesperados.
Dr. Peter Saunders é o diretor da Care Not Killing

- Este artigo faz parte de uma série de pontos de vista sobre morte assistida publicada em The Economist.
- O Dr. Peter Saunders é diretor da Care Not Killing.

O custo da fraqueza política

Arion Louzada 

       O crescimento da demanda na China faz a alegria dos produtores brasileiros de feijão, milho e soja, comércio que tem melhorado substancialmente como decorrência da crise entre Washington e Pequim.
          A satisfação não pode ser plena, todavia, por causa da lei de Temer que impõe preço mínimo para os fretes, o subsídio entregue aos caminhoneiros que, faz pouco, paralisaram a economia nacional com uma greve sem precedentes.

         A gentileza aos caminhoneiros aumenta espetacularmente os custos de transporte de mercadorias por via terrestre, ao tempo em que aponta para a volta da velha conhecida prática de controle de preços por parte do Estado.

       O preço mínimo fixado para o frete e o subsídio do diesel causam um impacto à economia que os burocratas do Governo não são sequer capazes de quantificar, mas que o mercado estima entre 15 até 30% na média dos custos para quem produz fertilizantes, soja, feijão e milho distante dos portos.

         A fraqueza política governamental, no caso da concessão do preço mínimo dos fretes e do subsídio ao diesel, significa prejuízo econômico ao país de mais de R$ 70 bilhões.

STF reconhece imprescritibilidade de ação de ressarcimento decorrente de ato doloso de improbidade

     Decisão em julgamento de recurso com repercussão geral reconhecida deverá ser aplicada em aproximadamente 1 mil processos semelhantes em instâncias inferiores.

     Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a imprescritibilidade de ações de ressarcimento de danos ao erário decorrentes de ato doloso de improbidade administrativa. A decisão foi tomada na tarde desta quarta-feira (8) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 852475, com repercussão geral reconhecida. Com o julgamento, a decisão deverá ser aplicada em aproximadamente 1 mil processos semelhantes em instâncias inferiores.
Banco de Imagens do STF
     No caso concreto se questionou acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que declarou a prescrição de ação civil pública movida contra funcionários da Prefeitura de Palmares Paulista (SP) envolvidos em processo de licitação considerado irregular, e extinguiu a ação. Ao prover parcialmente o recurso, o STF determinou o retorno dos autos ao tribunal de origem para que, uma vez afastada a prescrição, examine o pedido de ressarcimento do erário com base nas condições fixadas pelo Plenário.

     Tese

     Foi aprovada a seguinte tese proposta pelo ministro Edson Fachin, para fins de repercussão geral: “São imprescritíveis as ações de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato doloso tipificado na Lei de Improbidade Administrativa”.
SP/AD - STF